Olivia's profileÀs cinco em ponto da mad...PhotosBlogLists Tools Help
August 02

cumplicidade

obrigada por tudo.
desculpas.
July 27

memories

As maçãs primitivas
os cristais de rocha
lindos frangmentos gotejantes
a relação negligente
de um após o outro
como eu costumo chamar para mim
ou beber a eles
os verdadeiros poemas ou os que
não passam de retratos
os poemas de privacidade
da noite dos homens como eu
esse poema pende tímido
e escondido que sempre carrego
e todo homem carrega
______
 
Nada esta perdido
ou pode ser perdido
o corpo, indolente
velhor, friorento
as cinzas deixadas
pelas chamas passadas
arderão denovo
 
 
Walt Whitman
June 10

Sylvia Path

do Ár. redoma
s. f.,
manga de vidro fechada de um lado por uma calota esférica e destinada a resguardar do pó objectos delicados, especialmente imagens de santos;
campânula.

fig.,
pôr numa -: proteger; tratar com muito cuidado.

May 30

capítulo aleatório

Doutor Freud ainda não se apresenta neste cômodo setecentista que me recebe semanalmente; tão belo quanto mórbido.E quantos são os detalhes que nunca me olharam em tantas outras ocasiões: os adornos das paredes, as lascas no verniz das janela, a ferrugem nos pés deste móvel em que repouso apática e confortável.
Se me houvesse astúcia mínima para suspender o corpo, poderia explorar o ambiente recém reformado por essa minha guinada perceptiva, talvez tocasse os quadros que daqui parecem tão empoeirados quanto sedutores, talvez invadiria sua escrivaninha, testemunha de suas elaborações e tantos relatórios, implicações psicanalíticas; mas quanto mais se atrasa o doutor, maior o medo de ser flagrada e ser prescrita de uma sessão de eletrochoque adicional por minha melindrosa intromissão...e quanto mais se estende a demora, penso que se tivesse me erguido no primeiro impulso, já teria lidos seus arquivos, remexido em suas gavetas, mas a cada recuo sei que ele está menos distante...eu espero então o tempo necessário.     
Em minha máquina de escrever mencionaria a luminária arrogante que me inspira por sua complexidade supérflua e bela, imóvel, causando distintas sensações e já não se torna em vão  minhas horas adicionais consumidas por um imprevisto trivial: algum parente falecido repentinamente, importunando algumas rotinas, por exemplo, uma poça d'agua que encarregou-se do fatídico atraso lhe encharcando as meias, e contornando o torso do médico cento e oitenta graus em busca de outro par de meias engomado e seco, assim, com o conforto restabelecido talvez fora acometido por uma conseqüência imprevista: uma conveniente necessidade de folga, caminhar ao acaso, seja lá o que Sr.Freud faça em seu tempo livre(afinal não é nada mais que mero espectador de pacientes que suicidar-se-ão tão cedo ou tarde ele procrastine seus respectivos funerais). Mas ainda é possível que já se encontre no prédio, com meias secas, retornando ao trabalho, vindo ao meu encontro.
           Enfim, de todas, a mesma possibilidade é a de estar na saleta ao lado, investindo suas distintas, inovadoras e polêmicas teses num paciente o qual avaliasse a eficácia do tratamento com certo otimismo; o que seria insensível e nada ético de sua parte, abandonar-me nesta sala-setecentista-tão-bela-quanto-mórbida, sem ao menos um relatório encerrando o tratamento_ "Tenha um bom outono, Sra.Salièrie"_ (ainda que me chamasse pelo primeiro nome, a formalidade do relatório aparentaria indiferença) em consideração, uma carta destinada ao meu primeiro nome ainda que usasse uma desculpa mal elaborada, bastaria um punhado de termos médicos que adornariam qualquer abandono trivial por algo romântico, trágico, shakespeareano, e tão logo eu seguiria só, com as memórias de meus longos monólogos investigados com tanta paixão por seu olhar clínico.
           Porque desistiria desta paciente tão graciosa sempre derretida neste sofá? Uma mente turbulenta e assombrada, implorando por companhia, por cura, ternura, compaixão...não é possível um médico da mente perder o interesse pela paciente mais confusa quanto plena, mais suave quanto depressiva, tão sagaz quanto suicida. Esses objetos em maioria tentam me intimidar, sopram intrigas e eu quase me deixei levar. Silêncio, ordeno. E faço questão de justificar-lhes sobre imprevistos: uma viagem às pressas, por exemplo, talvez um congresso na Alemanha, no qual seu amigo de profissão W.Flies o convocara sem adequada antecipação, mas sentiu que devia atender ao amigo prioritariamente.
        Breve retornaria as suas atividades previamente agendadas, como esta ocasião na qual me encontro(fértil permutando o acaso), ainda que constrangedora, a situação sugere certa sanidade em excluir-me do foco passivo de todas as cicatrizes, acometidas e implantadas, onde insisto depositar essa angústia melindrosa.
Talvez este seja o seu mais novo processo metodológico embasado num ensaio sadicamente divertido e mirabolantemente prazeroso para estes arrogantes psiquiatras que na certeza do meu retorno em sete dias, se deliciará analisando meu inconsciente, decifrando minhas feridas saciando sua curiosidade acadêmica, a cerca de cada pensamento que me ocorreu nesta mesma sala, uma semana atrás, que é agora.
      Plausível...Devo me levantar ?
May 29

a carta resposta

                                   Já não sei das horas idas...    das vindas eu espero palpável, nem que suave ainda, sanidade e     menos valores agregados de poluição eferma...                      das horas vindas, um cone esférico num plano real e quantas        dimensões me forem necessárias para satisfazer todo sadismo        religioso...                                                       das horas  que ainda virão, eu cegamente  encontro brisas abolindo cada  aflição cortante e cada  meia palavra nos sonos inconstantes que, de certo, teem a repetição....                                das horas idas, gargantas eu deveria laminar impiedosamente e de   certo me garantia alguma saúde mental....                          das horas violadas, chocolates de desejo, de delicia, sem precisar cortejar os rótulos imensos em cada folha que chega de              minha correspondência extraviada...                                

 

May 24

" Theorie Analytique de la Chaler ", 1822

 
 
alguns criam spaces, blog e afins para exporem, tonar publico, seus amores, desamores, pensamentos aleatórios e conteudos íntimos por um meio parecido com desabafo que não deixa de ser uma ajuda,ainda que auto (ajuda)... nada aparentemente comprometedor.. mas mesmo que permaneçam anonimos seus autores transparecem suas intençoes ou despretensoes de cada um com seu espaço....
sintam-se a vontade para comentar e visitarem este, lucido, perspicaz, onde me ofereço, e a todos várias formas de introspcção e/ou entretenimento:
 
   tem letras de musica, estiletes e acetilenos de plantão, citaçoes e textos de poetas deprimidos e todo adereço a mais que espelhe essa minha fase depressiva...
e ainda sim "ás cinco em ponto da madrugada" me permito o de humor, ainda que seja um humor do tipo "trágico não fosse cômico e  recíproca",
sinto-me mais leve !
obrigada msn ...
 
ainda que, depois do estresse, a depressão seja a coqueluche alarmada na mídia cotidiana, eu 
psico-socialmente oscilo a intensidade entre: 
apatia e suavidade,
tristesa e esperança,
melancolia e neopositivismo*
(* movimento filosófico que pretende unir a tradição empirista ao formalismo lógicomatemático, no âmbito de uma perspectiva antimetafísica do saber )....
sou praticamente uma "série de fourier" ambulante e trepidiante...
 
 NOTA:
 SÉRIE DE FOURIER:
 método matemático aplicada para se obter uma soma de séries numericas reais a partir de uma função diferenciáel e periódica, a série em questão tem como propriedade convergir uniformemente um valor médio aplicado em cada ponto.Ou seja, basicamente, fourier é usada para transformar um troço mostruoso em somas de pequenos bichinhos de pelucia, e com eles é mais fácil lidar !!!deu pra entender ideia ?
 
 
Essa fantástica ferramenta além de exemplificar minha unidade como individuo singular contida num espaço abstrato de menos infinito ao valor real, este post,ponto fechado pertencente e contido neste momento oscilatório num ponto aberto, este espaço do msn !!!!..
 
Essa operação matematica supreendentemente nao é usada só pra gastar folhas de rascunho e muito grafite, donde duas letras e um simbolo são derivados malabaristicamente na tentativa de chegar a uma provavel resposta com erro > 1, do tamanho de dois paragrafos que mais parecem hieróglifos.
 Mas insistem que é um sistema bem pratico nas areas engenhóricas, musicais, digitais e processamentais de imagem; sim tudo muito senóico e trigonométrico, mas indo além e aquém talvez a serie de fourier poderia ser eficaz no tratamento de pacientes psiquiatricos com sintomas maniaco-depressivos e quadros clínicos bipolares...
e esse foi mais um dos meus insights matutas !
 
 
 
agradecimento especial ao sagaz pioneiro deste conceito matuta, autor de "título do post he hoje": Jean B Fourier (que provavelmente, em sua ardil vivencia 1768-1830, não comeu ninguém !!!!)
May 18

solução prática...

cateter de isolamento condicional a partir do desenrolar dos acontecimentos de outrora...substituto de carencia, substituto de adoraçao, terapia da insegurançados filhos da puta mascarados, quanta estupidez e traça de armario, mofados....soluçao pratica e eficaz é a morte. a eliminaçao. a ausencia. o fardo de cinzas que no máximo chegam a sujar o tapete da rua..que fim agonizante.... eu estarei em todos esses dias com o maior prazer quanto odio num coraçaozinho.. ocupando brevemente o espaço da deliciosa degustaçao de uma vingança bem naturalmente aplicada e sucessivamente a felicidade intrepida e maluquinha que impulsiona os pulos de alegria e risadas geometricamente ecoantes e sempre recarregaveis...instantaneamente é mais barato e mais sutil...é meu bem mais precioso....

um a fato a se relevar

sim, nesse marasmo de cortinas fechadas eu dedico meu tempo estudando antropologia contemporanea, com o unico detalhe que eu não gosto muito assim de pessoas..assim por perto, esbarrando em mim na rua, sabe ... eu passo por varios blogs ao dia e faço questão de ler os comentarios..tem gente que só passa por passar e nem le o post ou simplesmente agradece a visita, tem gente que só posta musica, outros criticas de filmes, outros usam o blog como diario virtual literalmente, outros aproveitam pra desabafar, pra se entenderem para se entreterem, como reagem aos coices e presentes da vida...e são esses espaços que me interesso, espaço com personalidade...e muito deles me atraem pela boa escrita, pela boa combinação de palavras, pelo sarcarmo seco, a ironia disfarçada, a verdade nua e crua .....isso é interessante pra mim e meus estudos....

 

enfim, talvez se julgue uma pessoa pelo blog, 

 mas por não por um post, por exemplo,

se eu contar-lhes que ontem pintei as unhas num puro breve momento exclusivamente narcisista seguido de um ato típico de " porque não fazê-lo ?": 

  impiedosamente taquei acetona guela abaixo.

isso mesmo. não perguntem porque, como, só lhes informo do ardor insuportavel contaminando inflamavelmente toda minha mucosa pré-digestiva

( e pró-corroída ).

talvez seja uma bela recomendação para meus netinhos, 'bebam desta azeite':

 " removedor de esmalte: é feio, é cacá "!

no mais, não recomendo isso à quase ninguem...

  não repetirei,

bastou-me toda coreografia epilética involuntária pós-ato-tão-estupido,

 uma sucessão de contrações e contorçoes, nada diferente de um horror trash de enésima categoria*

 

( *_suposto experimento insalubre sem fins farmacêuticos, ou propósito, uma trama pura e simplesmente macabra dum sádico asquerético  revestido por um conveniente jaleco e cercado de adereços autópsicos ainda que nada cientificamente convincente, o prepotente vilãozinho pseudoacademico,após sedar e amarrar a protagonista de madeixas glamurosamente impecáveis e imobíveis em toda aquela parnafenalha clinicamente psicótica,assim então curva a caquética linha dos ombros consequentemente modelando a entonação do ruido prazeroso que emite no instante de contemplaçao insana sempre esfregando as mãos, uma na outra, na altura do queixo assim ansiosamente espera a cobaia retomar a consciencia para assim, num instante covarde e terrorista poder liberar o liquido ácido por entre seus lábios carnudos e rouge, corroendo e invadindo-a em lavas, e presenciar a tortura quase fálica com tamanha demência e satisfação....) 

 

 

prometo retomar meus posts mais com mais "lucidez" e literatura menos traaaaash ! o ususal, sabe como é .....

 

May 15

busca nos conselhos mais indiferentes que existem!!!

A que ponto desta solidão eu cheguei, em pedir uma direçao a um pseudo-charlatão capitalistasmente esotérico, em um site qualquer dos tantos que preveem tantas coisas diferentes dependendo da entidade espiritual que baixar ali na hora, ou dos livros da irmã do gugu, que são lidos e decorados, interpretando-se para o publico como estudo serio, mas o que eles tem em comum é a previsão que sempre vai ter ibope palavras indiferentes e amiguas e multifacetadas pra voce sempre dar um jeitinho de encaixar no seu presente, afinal todas as pessoas tem vida financeira ( a maioria com problemas), e vida pessoal, carreira, planos futuros, pretensão de viagem, parentes proximos e distantes, namorados e paqueras, e contemplam a sorte como determinate de seus destinos, mesmo que isso contrarie a ideia de destino, que já está traçado, logo a sorte, algoritmo variavel, não existe para quem lê esse tipo de assistencia...pois é ..cheguei ao fundo do poço, e tão fundo que ainda, aconselhada pelo site, descobri e li a mensagem do meu signo anscendente ( que cresce?) sei la o que eu deveria fazer com estes dois testiculos, imendar um no outro, anular as contradiçoes e acreditar nas palavras que se repetem ? sei la .......

"Tudo bem, os desafios e distâncias a cobrir são imensos, mas não deixe isso agitá-lo tanto. Esqueceu que você tem nervos sensíveis? Não massacre os neurônios por antecipação, senão, quando a grande hora chegar, você nem vai conseguir sair do chão. Momentos de relax e meditação, massagens, carinhos e outras perfumarias... Trate-se bem."

 a distancia é relativa e depende do ponto referencial de um observador no plano inercial com velocidade nula...prossiamos...sim, nervos sensíveis? afinal não é essa a função anatomica do nervo, sentir ? hummm...esse tá mais estranho...quantas são as formas de se massacrar os neuronios..talvez estudando para uma prova de calculo? essa previsão ta muito cientifica......quando a hora chegar? a hora não chegou já? depois do big bang ? realmente para toda essa fisica quantica e explosões primordiais é necessario, ou melhor, vital, momentos de relax pq senão voce pifa.....trate-se bem ...não tome muito pó de guarana na vespera da prova nem muita maracujina antes da apresentaçao da sua monografia....essa é a liçao do dia de hoje !!!

"Afine o ouvido: o que estão lhe dizendo traz várias mensagens, abre portas e comportas dentro de você. Pode até revelar seu lado mais doce, forças em estado de maturação, só esperando pelo seu chamado e por sua entrega, que você as deixe transitar livres por sua consciência, correr pro abraço, conhecer o amor.. "

sim, eu estava toda ouvidos e só ouvi merda, e portas se fechando na minha cara, e ainda prendi o dedo no batente...meu lado mais doce da com gosto de chá de boldo e eu já me entregeui ha muito tempo afinal, se nao tivesse entregue as traças nao estaria lendo essa porcaria....correr pro abraço? isso ja ta meio em clima de copa não acham ..... acho que é o amor pela camisa !!! pela seleçao....todos esperando o chamado do parreira, claro, o horoscopo ta certo , a convocação sai amanha !!! para todos deste signo serão convocados se revelarem suas habilidades mais doces...e serem muito consciente ....

 

ps. sabe que eu adorei essa historia d horoscopo, me inspirou para este post olha-lha que maravilha, eu recomendo !!!

May 12

da inglaterra elizabethiana, ao fluxo das metropoles atuais

"Eu recuo diante dos anos 1987-1904, os sete anos infelizes",
 
escreve V. Woolf em 1939, numa época em que a autobiografia é seu gênero literário preferido.
 
 "Poucas vidas foram tão torturadas, corroídas e sufocadas pela presença constante da idéia do não-ser quanto as nossas. Foi a consequência imediata desses dois erros inúteis, desse vaivém de um fluxo indiferente, inconsciente, que sem razão, brutalmente, matou por acaso as duas pessoas que teriam tornado esses anos normais e naturais, ou até mesmo felizes".

 

 

serão meus completos sete anos infelizes ? serão mais ....

os erros não são dois, muitos deles nem são meus ......


May 09

Tropico de Câncer

Romance autobiográfico de Henry Miller narra as aventuras existenciais e sexuais de um americano em Paris. Seu primeiro romance causou furor entre os mais moralistas pela descrição naturalista das relações sexuais. Acusado de pornográfico, o livro só seria lançado nos EUA em 1964, 30 anos depois de ter sido editado.

 

sim, eu, Oli, melancolica, depressiva tenta variar um pouco na literatura e se depara com um livro muito " estranho" ....uma breve passagem para conhece-lo, Sr Henry Miller....ui ui ui

 

 

Ó Tânia, onde estão agora aquela sua boceta quente, aquelas ligas gordas e pesadas, aquelas coxas macias e arredondadas? Em meu membro há um osso de quinze centímetros de comprimento. Tânia, alisarei todas as pregas de sua vulva, cheia de semente. Mandá-la-ei de volta para seu Sylvester com a barriga doendo e o útero virado. Seu Sylvester! Sim, ele sabe acender um fogo, mas eu sei inflamar uma vagina. Enfiarei pregos quentes em você, Tânia. Deixarei seus ovários incandescentes. Seu Sylvester agora está um pouco ciumento? Ele sente alguma coisa, não sente? Sente os remanescentes de meu grande membro. Deixei as margens um pouco mais largas. Alisei as pregas. Depois de mim, você pode receber garanhões, touros, carneiros, cisnes e São Bernardos. Pode enfiar pelo reto sapos, morcegos, lagartos. Você pode defecar arpejos ou amarrar uma cítara sobre o umbigo. Eu estou fodendo, Tânia, para que você fique fornicada. E se tem medo de ser fornicada em público, eu fornicarei privativamente. Arrancarei alguns pêlos de sua vulva e os grudarei no queixo de Bóris. Morderei seu clitóris e cuspirei moedas de dois francos...

 

May 08

minha decoração éum excesso de ausencias

Santiago Nazarian, belissimo, cru, original, altamente recomendavel..ele tem o estilo mais intrigante e doloroso e ímpar de escrever, faz humor com melancolia, e alguns tons em passagens de desespero; a angustia é um mal coletivo que nos permitimos enxergar ou não..... certamente postarei mais passagem de seus livros tão insuportavelmente deliciosos como cutucar casquinha de machucado. O trecho é do livro " A Morte sem Nome" em que ele descreve os mais sufocantes, dolorosos, 'costumeiros por preconceito' sentimentos e vivencias exclusivamente femininas que se rastejam para sobreveviver, que são brutas para menos se abater, que ficam trancadas para não quebrarem-se por dentro, e os relacionamentos entao, causadores de quase uma infinidade de adjetivos contrarios, semelhantes e justapostos.... essa frieza no amago feminino é pura poesia e sarcasmo e essa realidade não nos permitimos enganar nas folhas deste autor.........

(...) 

Pobre das mulheres que tem só suco de laranja a derramar. No meu chão há mas poesia que vitamina C, para alimentar um batalhão.Que mal pode me fazer um resfriado? Meu sangue é o vírus da gripe derramado. Cura-se com detergente e desinfetante, lâminas descartáveis, ou aquecidas em brasa.Cortando fundo leve-o para longe,para fora de mim. Afinal a vida é só. È só mais uma doença longa, paciente e terminal.(...) 

Apaixonada, é impossivel sobreviver. Ao meu amor, devo esta pena. Aos que me amaram, dedico a espada. Em meu coração, corre esta intenção.Que se derrama é sangue, como paixão.O que se esfrega é poesia.(...)

May 07

lá, os bons, maus, os piores e os melhores .....(todos) foram buscar

não adianta meus autores preferidos são sóbrios, outros, morbidos, alguns, ou melhor, algumas suicidas ..... mas esse poema do beberrão Allan Poe, eu dedico ao nada "obscuro" rio de janeiro

 

 

 A Cidade do Mar

 

Olhai! a Morte edificou seu trono

numa estranha cidade solitária

por entre as sombras do longínquo oeste.

Lá, os bons, os maus, os piores e os melhores,

foram todos buscar repouso eterno.

Seus monumentos, catedrais e torres

(torres que o tempo rói e não vacilam!)

em nada se parecem com os humanos.

E em volta, pelos ventos olvidadas,

olhando o firmamento, silenciosas

e calmas, dormem águas melancólicas.


Ah! luz nenhuma cai do céu sagrado

sobre a cidade, em sua imensa noite.

Mas um clarão que vem do oceano lívido

invade dos torreões, silentemente,

e sobe, iluminando capitéis,

pórticos régios, cúpulas e cimos,

templos e babilônicas muralhas;

sobe aos arcos templos magníficos, sem conta,

onde os frios se enroscam e entretecem

de vinhedos, violetas, sempre-vivas.


Olhando o firmamento, silenciosas,

calmas, dormem as águias melancólicas.

Torreões e sombras tanto se confundem

que é tudo como solto nos espaços.

E a Morte, do alto de soberba torre,

contempla, gigantesca, o panorama.

Lá, os sepulcros e os templos se escancaram

mesmo ao nível das águas luminosas;

mas não pode a riqueza portenhosa

dos ídolos com olhos de diamante,

nem das jóias que riem sobre os mortos,

tirar as vagas de seu leito imóvel;

pois, ai! nem leve movimento ondula

esse imenso deserto cristalino!

Nem ondas falam de possíveis ventos

sobre mares distantes, mais felizes;

ondas não contam que existiram ventos

em mar de menos espantosa calma.


Mas, vede! Um frêmito percorre os ares.

Uma onda... Fez-se ali um movimento!

e dir-se-ia que as torres vacilaram

e afundaram de leve na água turva,

abrindo com seus cumes, debilmente,

um vazio nos céus enevoados.

As ondas têm, agora, luz mais rubra,

as horas fluem, lânguidas e fracas.
E quando, entre gemidos sobre-humanos,

a cidade submersa for fixar-se no fundo,

o Inferno, erguido de mil tronos,

curvar-se-á, reverente.

 

 

 

May 05

escolhas, arrependimentos, ilusões afins ....

quando entrei, não somente entrei, como me carreguei pra dentro deste caminho, o escolhi quando as opçoes beiravam a infinidade, ele era único, desconhecido, pouco explorado e ainda sim me causava ansiedade breve em segui-lo... e eu sabia que não seria fácil, mas o caminho, eu pensava ser um estado de corpo e futuro, uma delicia trabalhosa, mas ainda sim delícia.....

fui seguindo ...seguindo.....o caminho era uma trilha áspera, desconfortável _ e ainda sim, eu enxergava, uma beleza confortante e extasiada no final, agora descubro a miragem, ou me convenço que era miragem por já não ter mais forças_

...seguindo, seguindo.... as paisagens laterais que me envolviam perdiam as cores e o brilho que fantasiei gradativamente, mas continuei seguindo.... algumas raras opçoes de retorno e desvio, mas eu não dava importancia, o destino que eu buscava ainda era o que eu queria tocar, por-me dentro, alcança-lo, vive-lo.....

então seguia... em um momento de sobriedade realista percebi a paissagem lateral sombria, mórbia, sem cor, perigosa, obstáculos cortantes, hipnóticos, e dos falsos frascos de motivaçao que possuia, não me restava mais nenhum ......

sinto que me perdi esse tempo, longo, castigante e sim, finalmente me permiti encerrar a busca ilusória que um dia foi o amor de uma vida, então parei....

a um passo do fim? a tres quilometros? seis milhas ? dezessete anos ? não sei, não importa mais, virei as costas e no momento eu tomo a decisão de voltar...chegar ao menos até o ultimo sinal de retorno, que passou há 61 meses atrás....

 e esse momento é a tristeza, a angustia da depressão, da patologia do desespero, de frustaçao, de alivio disfarçados em conhecer a estrada de volta, a vergonha de chegar, se chegar em outro lugar quaquer, sem moedas de cobre para comprar outros frascos de motivaçao e quem sabe, ainda eu me permita iludir com o desejo de uma companhia, mas isso é pensamento "desvaneico"....

talvez existam pessoas que seguem estes caminhos mortos, vidrados em hipóteses inviáveis nesse plano abstrato convencional, nesse plano espiritual alguns chamam, nessa existencia, que seja ..

e elas, morrerão ? sentiram a brisa da miragem se desfazendo enquanto a atravessam com o corpo?...

eu escolhi não saber....eu escolhi preservar esse suspiro final e talvez eu encontre um fruto vital que passou despercebido durante esse processo sugador de tudo que havia de sabor em mim ....

 e eu já me canso em voltar, desisti de seguir e esse chão é desconfortável demais até mesmo pro que resta dessa massa animada de indivíduo......

 

Olivia

 

 

 

 

 

 

May 02

o preço da experiencia

desculpem a abstraçao intelectualoide; é simples falta de inspiraçao ... meu dia foi um tédio enfadado, uma cadeira vazia e a tv desligada era o mais puro entretenimento....nem um livro interessante, nem tv a cabo..passei por aqui pra conhecer outros blogs e foi o mais ponto alto do dia ... uns breves momentos de ridicularidade, outros divertidos, outros inteligentes, venenosos, generosos, outros criativos, confortantes, ....

 

 

e coisas que me barram, que me empurram, que me chamam, que me convidam, que me expulsam, que me agridem, que me comovem....pra quê ?

 

Qual é o preço da experiência?

 

Os homens a compram com uma canção?
Adquirem sabedoria dançando nas ruas?

Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem possui, sua casa, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro ara em vão por seu pão.

É fácil triunfar sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça cheia de grão.
É fácil falar de prudência aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem teto,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro

É tão fácil sorrir diante da ira da natureza
Ouvir o uivo do cão diante da porta no inverno, e o boi a mugir no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arrasa a casa do inimigo;
Rejubilar-se diante do praga que cobre seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,
Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem diante da porta, e nossos filhos nos trazem frutas e flores.
Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, bem como o escravo que gira omoinho,
E o cativo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos rompidos deixam-no gemendo à espera da morte feliz.
É fácil rejubilar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me rejubilar deste modo: mas eu não sou assim.

 poema William Blake

imagem 'Reunion of body and soul', William Blake

May 01

crash - uma metropole como qualquer outra

ok, ganhou o oscar, é muito bom mas as questoes vão além ..
 
Para o diretor Paul Haggis, que começa o filme com acidente de carro, encontros entre carros e pessoas são formas desesperada de contato. direto. O filme baseia a violencia inerente humana. Não foi por acaso, a ideia do filme surgiu quando o proprio diretor e sua mulher foram sequestrados e ameaçado com armas na cabeça, e encontrou-se num limbo de indagaçoes sobre a origem dos proprios sequestradores e acerca daquele movimento violento de impiedade.
 
O filme não foge dos medos e feridas humanas. traumas. insegurança.
Nada justifica a intolerancia profunda, é o " narcisismo das pequenas diferenças" (Freud); o que quer dizer, que para que se tenha certeza de sua existencia precisamos de um INIMIGO que identifique o que não somos... e assim seguimos buscando a nossa identidade......
 
Pouco nos resta a não ser essa sequencia de empurrões doloridos que tece o que chamamos de vida ....

" O ódio e o nevoeiro "

de Decio Gurfinkel .
 
sentimentos hostis intensos, como o ódio, muitas vezes são encobertos pela melancolia.
a depressão banalizou-se atraves da ideologia da sociedade onde todos devem parecer felizes....o disturbio depressivo, pode ser associado a uma agustia leve e passageira;
mas diferente da tristeza comum, a patologia depressiva é devastadora...
dores emocionais fisicas, sintomas somaticos e psiquicos.....
angustias extremas....tédio enfadado dor desespero
paralisia cinematica
 
" Os aposentos vazios da depressão "
de mauro maldonato
April 30

para evoluir, mas nunca se consegue esquecer

 

Reminds me of the second time that i followed you home ...i’m steping in my way now...it’s a bit late but I haven’t lost my goal and I’ll do it..it’s the best I can give to you, my success… your pride is the best return I can get and I’ll fight to have it constantly near….love you in many ways, especially the one that’s told that I should love myself first….

 

sou muito pé atras com rock nacional atual, mas essa letra do Luxuria é perfeita.... infelizmente é realidade.

 

Durante muito tempo eu construí uma história em cima de um castelo destruído
E pra fugir dessa realidade dura eu já encontrei mais de mil motivos
Agora essas palavras de pessoas santas parecem música nos meus ouvidos
Já que ficou quase insuportável ouvir a voz dos meus olhos aflitos
De tanto chorar depois que a festa acabar
Se eu não me matar, talvez eu peça ajuda para voltar
De um lugar da onde despenquei

feito um anjo que morreu de raiva
Na queda eu me despedacei mas eu já me permito mudar


Olhei ao meu redor para reconstruir meu castelo caído
Pra viver de bons momentos sem ter que ter os olhos escondidos
Já fiz até um testamento que não tem nada, nada, nada escrito
Já que a minha maior herança é a que eu vou levar comigo
Pra evoluir, depois que o terror passar
Se eu não suportar talvez eu peça ajuda pra voltar
De um lugar da onde despenquei feito um anjo que morreu de raiva
Na queda eu me despedacei mas eu já me permito mudar
Esse meu ódio é...
Meu ódio é...
O veneno que eu tomo querendo que o outro morra

dor que inspira

 

porque o amor fica nas mulheres ?

 

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para
a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo
do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com
estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente)

 

Sylvia Plath



April 29

bang bang

porque um simples disparo pode causar mil consequencias..
entre mortos e feridos e cacos de vidro que nos deixam ao redor
e se cata, corta e a pele, ou vive despedaçada...
 
 
 
I was five and he was six
we rode on horses made of sticks
he wore black and i wore white
he would always win the fight
bang, bang
he shot me down
bang, bang
i hit the ground
bang, bang
that awful sound, bang bang, my baby shot me down.
seasons came and changed the time, when i grew up i called him mine
he would always laugh and say remember when
we used to play bang bang i shot you down bang
bang you hit the ground bang bang that awful sound
bang bang i used to shoot you down
music played and people sang
just for me the church bells rang
now he's gone i don't know why
and to this day sometimes i cry
he didn't even say goodbye he didn't take the time to lie
bang, bang
he shot me down, bang bang
i hit the ground
bang, bang that awful sound, bang bang
my baby shot me down

homens ocos

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II

Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III

Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.

E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV

Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V

Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada

Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

 

TS Elliot

 

Olivia

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